
UM OLHAR SOBRE O ESPETÁCULO “TUDO EM UMA”
No dia nove de agosto de 2008, eu assisti “Tudo em uma”; um espetáculo do Centro de Danças Letícia Soares, pensado para mostrar ao público o encanto da diversidade de danças, dentro de uma unidade de dança. Assim... como a dança do ventre!
Entrelaçar Oriente e Ocidente com passos de danças, foi toda beleza de uma produção, para mostrar que as misturas são possíveis, os encontros são interessantes, e que as diferenças não ameaçam se integram, porque o preconceito não germina no universo da dança.
Se houve espectador que não conseguiu capturar a essência de “Tudo em uma”, é que, talvez, tenha só olhado, não viu com a imaginação, para perceber as possibilidades que a dança tem, principalmente, a do ventre:
Ela, se une a outra dança, e juntas, como se fosse uma, derramam-se no palco, remetendo o público a um outro mundo, mais bonito e mais harmonioso. Um mundo fascinante! Onde o importante é dançar.
Não sei!... Se eu estava pronta, para entender a dança como um todo. Mas, vivenciar esse mundo extraordinário da dança, em toda a sua fascinação, talvez tenha me forçado a entender tudo, ou pelos menos o essencial: Não dançar! Mas estar sempre dançando. Valeu à pena!...Ter assistido “Tudo em uma:” Foram momentos de dança e de paz, tão harmoniosos, que eu cheguei até imaginar a paz no mundo, se a ONU decretasse que: Dançar é obrigação de todos!
E assim... a cada instante da programação, eu vivi um novo tempo:
_ A essência do espetáculo, provocando em mim; a emoção de olhar, ver e sentir que dançar é uma arte inspiradora, mágica, e o Centro de Danças Letícia Soares, está entrelaçado no prazer de encantar o público com a arte da dança.
_ A poesia fascinante das dançarinas, derramando-se no palco com suaves movimentos de cabeças, troncos, membros e gestos harmoniosos: Convidando para um “vôo poético” e cultural pelo universo da dança, onde tradição e modernidade se encontram num cenário tranqüilo e inspirador: De lua, estrelas, e a energia do sol... quase se pondo. E para que nada saísse errado... tudo parecia estar ligado entre si:
- O ritmo contagiante das musicas, que ora pertenciam à memória do tempo e das pessoas, ora estavam “disponíveis no cotidiano presente.”
- O Cenário, a sinfonia de cores, luzes e som!...
- Os passos de danças... em comunhão com a música.
- No ir e vir das dançarinas... uma incógnita no palco.
- E no silêncio da platéia... a expectativa de ver o que virá.
E diferentes danças vieram... todas entrelaçadas á dança do ventre.E cada uma delas, trazia uma surpresa tão fascinante, que nem sei!
Mas, houve uma dança, que deixou o meu pensamento emocionado; foi um momento divino: Ver que Deus, não foi expulso daquele momento de alegria, mas, convidado!
E Ele compareceu!... Se fez presente no figurino “dos verdadeiros bailarinos;” que levaram para o palco o que se vive nas ruas.
Por trás deste fascinante espetáculo, está: O ideal de uma mulher incomum, porque organiza seu trabalho com base na vocação. O ideal de uma mulher, com o brilho de gente, que por amar o que faz; é levada a divagar em busca de um constante aprendizado. Ou, talvez, o ideal de uma pessoa que sabe que “ aquilo que vale não é a beleza do que é feito, mas a maneira como é feito.” E “Tudo em uma,” não podia ser feito de maneira diferente:
Primeiro, vieram as alunas, trazendo nos passos de dança, o reflexo dos conhecimentos que a elas são transmitidos, por uma mulher tão igual e tão diferente de todas as outras, porque tem como encanto a simplicidade que deixa irradiar.
No final, em meio a uma música nascida em tempos passados... dançando no palco, resplandece ”uma linda mulher” de vermelho e jeans!. Uma dançarina tão só! Isolada de todas as outras, mas, unindo épocas diferentes: O tradicional e o moderno. Unindo pessoas: Para que possam olhar, ver e sentirem juntas, a magia da dança encantando a todos.
E para encerrar: Toda “a vibração da paixão, do fogo e da chama eterna;” que arde pela dança, reúne todos: Bailarinos e dançarinas, numa única dança. Uma beleza extraordinária; como se todos os Deuses do Olímpo tivessem descido à terra.
E eu, fascinada com a beleza desse “vôo poético” pelo mundo cultural da dança, não podia me esquecer da ficha técnica:
Umas, são dançarinas (os). Os outros, eu não digo! Mas,“ todos são anjos com uma asa só; e só conseguem voar porque estão sempre abraçados uns aos outros.”
E hoje, exatamente quatro meses depois, eu assisti o Recital de Balé: Sonhos 2, mais um espetáculo do Centro de Dança Letícia Soares.
Preciso dizer mais alguma coisa!?
Basta dizer: Parabéns Letícia, por estar por trás de mais um maravilhoso Espetáculo!...
Belo Horizonte, 08 de dezembro de2008.
Liete Bernardes